NÃO à violência doméstica
Acabar com a violência doméstica contra as mulheres é uma prioridade na UE: a violência doméstica é uma das violações mais frequentes dos direitos humanos, caracterizada por uma conduta violenta física, sexual ou psicológica e muitas vezes baseada na dependência económica. Na Europa, uma em cada cinco mulheres já foi vítima de violência física durante a sua vida adulta e pelo menos uma em cada dez mulheres foi vítima de violência sexual.
No passado dia 13 de Outubro, a comissão para os direitos da mulher e a igualdade dos géneros do PE organizou uma audição pública sobre violência doméstica, vista como resultado dos desequilíbrios de poder existentes na sociedade e um obstáculo à igualdade entre homens e mulheres.
Em Novembro de 2006, o Conselho da Europa lançou uma campanha de sensibilização designada “Acabar com a violência doméstica contra as mulheres”, que tem como principais objectivos consciencializar as pessoas para a gravidade deste crime e encontrar medidas eficazes que permitam evitar e combater a violência doméstica. Para que a situação se altere, é necessário que os governos dos Estados-Membros, os parlamentares, as autoridades locais e regionais, as organizações não governamentais e a sociedade civil conjuguem esforços nesse sentido.
Alguns números da Europa:
* A violência doméstica continua a ser a principal causa de morte e de incapacidade das mulheres entre os 16 e os 44 anos;
* Suécia, Alemanha e Finlândia: pelo menos 30 a 35% das mulheres entre os 16 e os 67 anos foram vítimas de violência física ou sexual.
Nota: foto de Dorothea Lange


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6 opiniões ↓
What?!?! E a violência doméstica exercida contra os homens as crianças e os idosos? Não me conformo com esse estereotipo.
Deixo aqui um cheirinho de um trabalho elaborado no ISCTE sobre o assunto, quem quiser recebê-lo completo mande-me um mail para correio@jaimeroriz.com
Quem, no âmbito da conjugalidade, é mais violento: os homens ou as mulheres?
Respostas díspares surgem no âmbito do debate científico sobre a violência no casal, como resultado de perspectivas teóricas distintas, do emprego de metodologias diversas e de populações-alvo diferentes. Torna-se clara a necessidade de distinguir os tipos
de violência e os contextos em que esta ocorre e de a analisar para além da sua dimensão física.
Caro Jaime,
o anti-esterótipo é uma estratégia que não me convence: os números falam por si no tocante às mortes das vítimas de violência em casa - são SOBRETUDO as mulheres que pagam com a vida uma esperança infundada na convivência que deveria ser de partilha e se torna em purgatório a que nenhum sínodo põe fim.
Estou de acordo com a Ana quando refere que os números falam por si.
Para que a situação se altere, é necessário que os governos dos Estados-Membros, os parlamentares, as autoridades locais e regionais, as organizações não governamentais e a sociedade civil conjuguem esforços nesse sentido.
Não vejo que o Governo central ou local, esteja muito consciente desta situação para mudar este estado de coisas.
A nova Lei do Divórcio faz disso um exemplo. Num país em que muitas mulheres ficam em casa para se dedicarem ao marido e aos filhos e que em muitos casos ainda são fortemente violentadas quer fisíca quer psicologicamente a nova lei só vem agravar mais a situação.
Não entendo como é que o Presidente da República não vetou a Lei na íntegra.
Cara Ana Roque,
Sabe que a profunda admiração que tenho pelos seus feitos académicos e pelo excelente trabalho que faz aqui no “dados” não me permitem alongar-me em críticas ao que diz.
Concordo que o anti-estereótipo é, ele próprio, um estereótipo.
Porém, eu não caibo, decididamente não caibo, no anti-estereótipo. Discordei em breves palavras mas tive o cuidado de enviar em anexo - e disponibilizar aos seus leitores - um documento com um estudo sério sobre a matéria. O único estudo sério que li sobre a matéria.
Não se trata aqui de negar a evidência. Morreram este ano em Portugal vítimas de violência doméstica três dezenas de mulheres e menos de meia dúzia de homens. Os números são terríficos e esmagadores.
O que estes números concluem é que as maiores vítimas de assassínio são as mulheres. Não concluem, de todo, como o artigo, mal, refere que é necessário acabar com a violência doméstica sobre as mulheres.
Ou seja a violência doméstica acontece sobre as mulheres, os homens, as crianças e os idosos. Lamentavelmente, inconcebivelmente, é certo, as mulheres acabam por morrer mais do que os restantes grupos.
O que me custa a aceitar é que se ache que as mulheres são as principais vítimas de violência doméstica. Elas são a maioria das vítimas do pior que pode acontecer - a morte - em violência doméstica. Isso sim.
Caro Jaime,
a admiração e estima são sem dúvida recíprocas - e que isso não nos impeça de terçar argumentos! Sei que tem por hábito de pensamento fundamentar o que afirma - não é isso que está em causa (nem muito menos o estudo do ISCTE, escola reputada); é antes uma talvez desculpável aderência pós traumática, mas deixemos isso. As mulheres e (as crianças, por maioria de razão) parecem-me sempre mais vulneráveis do que os homens à violência dentro de portas. E aqui até dou de barato que abandono sem constrangimento qualquer rigor científico: é infernal ser mulher e vítima de quem, supostamente, a iria amar. C’est tout.
Ora muito bem. No seu último parágrafo “mandou à fava” o rigor científico e reagiu emocionalmente.
Na verdade, passa-se o mesmo comigo. O que eu queria era poder reagir emocionalmente. Vinte séculos de civilização impedem-me de o fazer sempre. Saber que não conseguirei fazer vingar o meu ponto de vista também me fazem não reagir emocionalmente sempre.
Pela actua lei a minha mãezinha, que estupidamente muito estimo, seria presa e inibida do poder paternal em menos tempo do que a Ana demora a dizer “nos termos do 152 e segs do Código Penal”
É muito mais infernal ser criança, porque não se escolheu, e ser vítima de quem, supostamente a iria amar. C’est tout.
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