publicado em
7 Setembro 2007 às 16:57

por Alice Gomes

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Dados pessoais e a sua utilização abusiva

A Internet é de facto um mundo fascinante, tem muitos factores que indicam desenvolvimento e expansão, permitindo um conhecimento global e actual que de outra forma era impossível, mas também tem muitos aspectos negativos.
Todos sabemos dos riscos a que as crianças estão sujeitos se não houver uma vigilância constante e atenta, quer pela divulgação dos seus dados pessoais e a má utilização que pode ser feita dos mesmos, quer ainda pelos sites pouco próprios para a sua idade, a que facilmente podem aceder.
Mas, também nós, adultos, corremos riscos sérios de perdermos a noção da realidade, ou por outra de ficarmos encantados com um mundo que é virtual.
Não é segredo para ninguém que as famílias estão sobre-endividadas, e que a cada dia têm maior dificuldade em cumprir as sua responsabilidades financeiras, ou porque os juros sobem, encarecendo o dinheiro e aumentando a sua prestação do crédito à habitação, por exemplo, ou porque o desemprego é uma triste realidade com que muitos têm que viver.
Curiosamente, ou por isso mesmo, com este panorama preocupante, sempre que pretendemos aceder a um site, somos inundados por “ofertas” de valores, por vezes elevados, por parte de entidades que nos prometem ajudar a resolver algum problema imediato, ou ainda a realizar um sonho, fazer uma viagem, comprar aquele equipamento de que tanto gostávamos, etc.
É verdade, que é o mercado no seu melhor, e não seria grave se algumas dessas empresas actuasse dentro das regras desse mesmo mercado, e com respeito pelo
consumidor, quando ocorre algum incumprimento .
Na verdade, não é isso que acontece, e de repente, toda a vida privada de quem não cumpre as suas obrigações atempadamente, mesmo que por um motivo alheio à sua vontade, é devassada e posta em público por parte dessas empresas que não olham a meios para alcançar os seus fins.
Tenha muito cuidado quando assina contratos no âmbito financeiro, pense muito bem antes de fornecer os dados pessoais que lhe sejam exigidos, e nunca forneça dados pessoais de terceiros, pelo menos sem a sua autorização expressa. A sua vida e a de outros pode tornar-se um verdadeiro inferno, pela utilização abusiva de dados pessoais, numa situação de incumprimento, mesmo que pontual.
A experiência tem-me mostrado situações verdadeiramente dramáticas, em que as pessoas ficam indefesas e vulneráveis, por vezes estando em causa quantias a que poderíamos chamar ridículas.
A protecção dos dados pessoais tem que começar por nós, e devemos cada vez mais exigir que os mesmos sejam tratados com respeito pela finalidade para que foram recolhidos.

1 opinião ↓

#1 Rui Cruz em 09.09.07 às 12:11

Acho que estamos aqui a confundir coisas.

Uma coisa é as ofertas na Internet, outra é a forma como são oferecidas, e outra a forma como são seleccionadas. Explicando:

Como são seleccionadas?
Não concordo com por exemplo o Google AdWords mostrar anúncios da Mediatis apenas para pessoas de Portugal, porque assim os nossos dados revelam já que estamos em Portugal. E isso é uma falta de privacidade.

Os contratos com letras pequenas não são lidos — ponto.
Eu trabalho numa campanha para o Citibank sobre cartões de créditos pessoais e o que oiço dizer é que quando o comercial vai falar com as pessoas elas não tem o contrato. Mas claro legalmente existe um prazo para o rescindir. Mas não é lido na altura.
Já pensaste quantos minutos se ia perder a ler um contrato? Imagina que vais fazer um seguro de vida num banco, e tens que estar 20 minutos a ler um contrato com mais gente á espera. Quem diz seguro de vida, diz cartão de crédito e as suas condições.

Em relação à protecção de dados, não comento porque ainda posso dizer algo errado. :)

Rui

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