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22 Janeiro 2008 às 11:06

por Alice Gomes

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LPDP, textos

 

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Conversa

Caro Jaime Roriz

A violência exercida pelas câmaras, em muitas circunstâncias, parece-me mais perigosa do que aquela que fala.

Mas, para mim, a violência não se resolve com câmaras, resolve-se com maior igualdade social, com mais integração por parte daqueles que são diferentes, pela cor da pele, pela sua origem ou pela sua religião.

Não resolve escondermo-nos dentro de condomínio fechados. Mais cedo ou mais tarde a violência chegará lá, e quando estiver a esse nível, não há câmaras que sirva para dissuadir de se cometerem actos violentos.

Falar de direitos pessoais, é também falar de direitos fundamentais, como o direito à saúde, à educação e ao emprego. Ora quando esse direitos não estão garantidos para um número aproximado de 2.000.000 de pessoas, é natural que a violência dispara. A miséria leva o ser humano a patamares impensáveis. Não estou a dizer que são os pobres os causadores de toda a violência, mas a violência social exercida sobre eles desencadeia uma malha de desencantados, de gente que nada tema a perder, mas que também já nada espera ganhar.

São esse que são perigosos. É sobre eles que devemos actuar, mostrando horizontes onde os seus direitos sejam respeitados, onde eles de sintam cidadãos de primeira, e não excluídos.

Quando conseguirmos chegar a esse patamar, tenho a certeza que o número de câmaras não precisa de aumentar. A nossa intervenção tem que ser objectivamente no sentido de, ao contrário do que se pensa hoje, menos câmaras, mais segurança, mais privacidade.

1 opinião ↓

#1 jaime roriz em 01.26.08 às 3:17

Sim, concordo basicamente com o que diz. Eu realçava apenas o facto de se realçar a insegurança (eh eh). Ou seja, vivemos de facto num país muito seguro. As câmaras, além de serem uma violência, só vão aumentar a insegurança. Da mesma maneira dar uma arma a cada cidadão não faria que o portador da arma ficasse mais seguro. Concordo consigo, qualquer manual de história nos ensina que a degradação das condições de vida e o aumento das desigualdades faz aumentar a criminalidade. Da mesma forma aumentar as penas não faz diminuir o crime. É a sensação de justiça que faz com que as pessoas se sintam seguras e moralmente obrigadas a uma conduta dentro dos limites que a sã convivência social impõe. A impunidade dos criminosos de colarinho branco leva inevitavelmente à diminuição do imperativo moral que minimiza o crime. Ninguém gosta de se sentir um criminoso, mas parece que todos nos sentimos um bocadinho “Robin dos bosques” quando conseguimos roubar o fisco. No fim, se não temos cuidado, se o meu ilustre professor Pinto Monteiro não for capaz de minimizar a corrupção, ser criminoso pode começar a ser visto como acto heróico.

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