Segurança?
É com preocupação que vejo a insistência com que se identifica videovigilância como segurança. É um dado adquirido, câmaras = segurança. Transmite-se esta ideia com frequência, e insistência para que mais facilmente se acredite nela. Como já várias vezes escrevi, não posso de forma alguma estar de acordo, porque nesta equação falta uma variante: invasão de privacidade. Podem dourar a “pílula”, mas de facto há uma perda de liberdade com a proliferação de câmaras, nomeadamente em espaços públicos, quer sejam centros comerciais ou em plena rua, como vai acontecer na Zona da Ribeira, no Porto, onde ontem começou a ser instalado o sistema de videovigilância. Também na baixa de Coimbra vai ser instalado um sistema com características especiais, isto é, há a “possibilidade de adoptar um software, de origem inglesa, que permite que as câmaras se auto-dirijam em situações de insistência”, reagindo automaticamente, por exemplo, à repetição de movimentos de uma pessoa junto de um veículo. Ora bem, se uma criança estiver a brincar junto a um veiculo, estamos perante uma situação de insistência? Um grupo de jovens que esteja junto ao mesmo veiculo, estamos perante uma situação de insistência? Segundo o Diário de Notícias de hoje, este processo prevê a instalação de 17 câmaras, no investimento de 200 mil euros, que poderá eventualmente aumentar, no caso de adoptaram as tais câmaras auto-direccionáveis. Lisboa, não querendo ficar atrás, já solicitou ao Ministério da Administração Interna (MAI) autorização para a instalação de videovigilância a instalar na baixa lisboeta, garantindo o presidente da Junta de Freguesia de S. Nicolau “que o projecto teve grande receptividade porque a privacidade está garantida”. Também a Câmara de Portimão está à espera de um parecer da CNPD para que possa instalar videovigilância na Praia da Rocha. Temos assim um país seguro, desde as zonas históricas à praia. Portugal pode finalmente entrar no grupo de países vigiados, deixamos de estar na ponta da Europa. Seguimos o exemplo das grandes cidades europeias, nomeadamente Londres, considerada a cidade mais vigiada do mundo. Mas, para mim, o problema destas cidades com câmaras é ainda maior do que aquelas que estão instaladas em recintos fechados, porque aí temos placas que nos informam da captação de dados por videovigilância, e podemos optar por sair. Numa zona histórica, num jardim ou numa praça, como vamos saber que estamos a ser filmados? Teremos que estar atentos se estamos ou não a ser filmados. Deixamos uma preocupação para ter outra. Passamos a ser actores de um filme de que não conhecemos o argumento nem o realizador. E quanto à distribuição, é melhor nem falar. Segurança é isto?

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1 opinião ↓
Alice, Faltou dizer que as cidades com uita vigilância são precisamente as cidades mais perigosas. Portugal é o 6º país menos perigoso do mundo. Talvez precisamente por ter poucos sistemas de vigilância, por ser difícil comprar uma arma, porque até há bem pouco tempo a pouca violência que existia ficava-se por pasquins como “o crime” e os jornalistas tinham a decência deontológica de não as fazer chegar às televisões. Agora temos tudo na TV, um menino parte uma unha e aparece na TV, a senhora rasga a meia no metro e aparece na TV. Temos câmaras. Um destes dias temos armas à venda a granel, ou pior teremos um florescente mercado negro de venda de armas sem registo. Ai !!!!!!
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