publicado em
1 Abril 2008 às 16:32

por Alice Gomes

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Videovigilância, mais uma vez

533625_security_camera.jpgÉ hoje noticia na imprensa diária, que a Câmara Municipal de Coimbra aprovou um projecto para a instalação de um sistema de videovigilância na zona histórica da cidade.

Mais uma vez, o argumento para limitar a privacidade do cidadão que se desloque a essa zona da cidade é, como não podia deixar de ser, a dissuasão da criminalidade.

Segundo a mesma noticia, o custo do projecto é de cerca de 150 mil euros. O presidente da Câmara, Carlos Encarnação, defende o projecto com a falta de segurança no centro histórico e com a ocorrência de actos de vandalismo.

Como é fácil mascarar a realidade com estes argumentos perigosos. Se nos lembráramos que os criminosos andam sempre um passo à frente do comum dos mortais, ou mesmo das autoridades, percebemos que o argumento da dissuasão não convence. As imagens passadas nos telejornais, até à exaustão, dos últimos assaltos a pastelarias e cafés da zona de Sintra, foram recolhidas pelas câmaras de videovigilância instaladas nas pastelarias em causa. Serviram de dissuasão? Não!

Podem ajudar a identificar quem pratica os crimes, mas não é esse o argumento para a instalação das câmaras.

Os actos de vandalismo, os crimes, a insegurança, têm que ser combatidos com outros meios. Não, invadindo a privacidade do cidadão comum. Começa a sufocar esta “febre” da videovigilância, em cada canto há uma máquina que nos vigia, grava, guarda. Tempos houve, em que Portugal não se podia ser espontâneo, porque havia sempre a possibilidade de quem estava ao nosso lado nos estar a vigiar. Hoje, tantos anos depois, a sensação começa a ser idêntica.

Não se podem aplicar os milhões gastos em videovigilância em formação de forças de segurança, em projectos de integração dos mais desfavorecidos, em espaços de lazer comuns, acessíveis e bem iluminados?

Haverá sempre crimes, mas tendencialmente serão menos se as condições de vida não forem miseráveis, sem futuro, sem qualquer hipótese de projecto de vida.

Apostar na qualidade de vida daqueles que nada têm, nem sequer esperança de vir a ter, dará, por certo frutos num futuro muito menos sombrio.

1 opinião ↓

#1 jaime roriz em 04.05.08 às 14:52

Alice, para dar um exemplo cómico, instalar câmaras de videovigilância é a mesma que coisa decretar, depois da avalanche começar, que quem for apanhado pela avalanche é punido com pena de prisão até 3 anos. O que sucede é que depois de o estado (responsável pela nossa segurança) não ter tomado medidas para garantir a segurança das populações, permite a instalação de sistemas de videovigilância numa atitude desesperada.

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