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10 Abril 2008 às 16:00

por Alice Gomes

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Videovigilância outra vez

Caro Jaime

Li, com muita atenção, o seu comentário sobre a videovigilância, e não posso estar de acordo consigo. O sentimento de insegurança que leva à instalação de videovigilância, nasce, não porque o estado não garanta a nossa segurança, mas antes porque há uma margem muito grande, eu quase me atrevo a dizer que é um fosso, entre os que têm alguma coisa de seu, e aqueles a quem nada resta, nem a esperança. São estes que nada têm a perder, que agridem, danificam, furtam, roubam, matam, se for necessário para obter aquilo que pretendem.

As desigualdades fracturantes têm estas consequências na sociedade.

Claro que não defendo estas atitudes, posso, como qualquer um de nós, ser vitima delas, mas basta olharmos com atenção à nossa volta, para que o fenómeno se perceba. Já não está escondido num qualquer bairro degradado, está mesmo ao nosso lado.

Eu não acredito que o Homem seja intrinsecamente mau, uns certamente serão melhores que outros, mas acredito que os factores externos contribuem muito para o percurso de vida de cada um. Há situações em que não há como percorrer outro caminho, só há um, não há escolha.

Enquanto estamos todos muito preocupados em instalar câmaras de videovigilância, que nos colocam a todos num cenário de filme de baixo orçamento, creio que se todos, mas todos mesmo, nos organizássemos para que as nossa energias fossem canalizadas para gradualmente criar uma sociedade melhor, onde as grandes desigualdades se fossem transformando em oportunidades, certamente que o futuro seria menos inseguro.

A instalação de câmara de videovigilância causa uma falsa segurança, e acredite que causa também muitos conflitos entre vizinhos, entre empregados e empregadores. Ao contrário da ideia que se tenta passar, não é nada pacifica a sua instalação. Nos condomínios a “guerra” está ao rubro ente quem defende a sua privacidade e aqueles que acreditam que com uma câmara estão a salvo de qualquer atitude que lese a sua dignidade enquanto pessoa humana, ou o seu património.

No locais de trabalho, a situação também é muito complexa, porque a maior parte das câmaras instaladas, destinam-se de facto a controlar os trabalhadores, a coberto da protecção de pessoas e bens, como a Lei prevê. Isso causa conflitos muito graves, sendo que e o desgaste humano tem um preço demasiado elevado para que possamos ficar indiferentes ao mesmo.

A esta altura, decerto estará a pensar que eu sou uma idealista, e até poderá ser, porque acredito num mundo bem melhor do que agora temos, e farei tudo o que estiver ao meu alcançe para que contribuir para ele.

1 opinião ↓

#1 Rui Cruz em 04.10.08 às 23:20

Cara Alice Gomes.

Isto foge um pouco ao tema, mas, cá vai.

Tenho uma pessoa amiga que foi assaltada numa loja “temporária” Vodafone… a pessoa estava la, viu uma carteira em cima de um balcão onde a operadora tinha ido fazer não sei o que e o cliente - o tal amigo - distraído.

A loja era na Av. de Roma em Lisboa, mas foi mudada temporariamente.
Não existem câmaras de vigilancia.

Não é a Vodafone obrigada a manter vigilancia nas suas lojas, ou/e todas as lojas de telecomunicações? Ou no mínimo responsável por aquele incidente, como seguro contra terceiros na loja, etc.?

Obrigado pela atenção.

Rui

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